Eu queria poder ficar quieto
No meu canto,
Debaixo do cobertor,
Preso num quarto escuro
E esquecer a vida lá fora
E esperar que ela se esqueça
De mim.
Mas sei que não adianta
Querer fugir,
Se esconder da realidade,
Seja num quarto
Ou atrás de qualquer substância
Que retire minha lucidez.
Pois ela é implacável,
Nos puxa pelo pé
E nos põe diante dos desafios
E da crueldade das expectativas
Da vida.
Ando cansado de tudo
E de mim,
Cabeça pesada,
São tantas cobranças,
Coração destroçado,
Sonhos cinza,
Alma embriagada
De decepções...
Preciso sair daqui
E achar um lugar que me caiba,
Onde eu consiga ouvir minha voz,
Enxergar outras cores,
Sentir outros cheiros,
Gostos
Ouvir o coração
E me livrar dessa cegueira
Que me apossou,
Do cepticismo
Que surrupiou
Minha fé.
A esperança amarelou
E a vontade que tenho
É de partir.
Sem drama,
Sem dor.
Abrir uma porta
E sair em outro lugar
Que me faça feliz
Pois aqui não está dando mais
Para ficar
A vida está de mal comigo
E já começo a duvidar
Se algum dia ela esteve
De bem...
Allex Borges
Juiz de Fora, março de 2014
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