sábado, 20 de outubro de 2012

Arredio



Saudades,
Amores,
Desamores,
Solidão acompanhada,
Lágrimas adocicadas,
Afago na alma,
Uma dor mascarada,
Aguda,
Profunda,
Particular...

Um adeus,
Uma lembrança,
Um desejo,
Um olhar perdido na janela
Olhando coisa alguma.

Folhas secas caem do telhado,
Tomam as ruas,
As calçadas e
E o vento as leva
Embora...
Chuva que cai de mansinho,
Cheiro de terra molhada,
Uma goteira no telhado
Uma inundação de sentimentos,
Pressentimentos,
Ressentimentos...

Delírios,
Devaneios,
Desilusões
De alguém que um dia
Se permitiu
Amar
E amou
Até não mais suportar
O peso de amar
E desiludiu,
Desistiu,
Partiu
Sem nunca mais voltar...

Nada em vista,
Taça vazia,
Tardes sem sol,
Noites sem luar,
Uma vontade de não ter vontade
De sentir coisa alguma,
Desinteresse,
Desencanto,
Não encanto
A ninguém
Nem a mim
Mesmo...

Esperanças perdida,
Barco a deriva,
Abraço vazio
Um grito preso
Na garganta
E um peito
Explodindo de tamanha vontade
De querer acertar,
Não mais errar,
Frear,
Sabotar,
Capotar...

Traga-me uma rosa,
Um girassol,
Um chão de estrelas,
Uma canção com cheiro de mar
 E faz bater nesse paredão arredio
A vontade de querer
Outra vez
Amar...


Allex Borges
Juiz de Fora, outubro de 2012

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